segunda-feira, 28 de maio de 2012

Faniquitos na Espanha...


Mais um começo de semana agitado, desta vez devido a velha desconfiança do mercado em relação a solidez dos bancos espanhois em razão dos 180bi de euros em emprestimos imobiliários.A necessidade de socorrer o Bankia, 19bi de euro, é visto como prenuncio do que poderá ocorrer com os outros bancos e para piorar o cenário o governo espanhol escolheu um meio pouco ortodoxo para financia-lo: swap de titulos da divida pública em troca de participação acionária, 90%, que implica em confessar estar temeroso de recorrer ao mecanismo normal para levantar os recursos para salvar o Banquia. Não é o tipo de confissão recomendável, quando sua economia esta passando por um momento delicado. Detalhe, ignorado pelo genio espanhol.

O resultado: queda nas ações do Santander, 3.2%; Bankia, 13% e Banco Popular 7,5%. O benchmark, titulo de 10 anos, em 6.5% e o spread de 500 pontos base em relação ao equivalente alemão. É mais tranco, naturalmente, mas não altera substancialmente a posição espanhola que continua na marca do penalti. Alias, nunca deixou esta posição.

Enquanto isto na Grecia o partido da Nova Democraia, lidera as pesquisas para a eleição de 17 de junho, que somente não é uma excelente noticia, porque o numero de indecisos ainda é muito alto.

domingo, 27 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A última de Berlim...




Em mais uma demonstração de falta de tato, a Alemanha, segundo a Spiegel, deverá apresentar uma proposta de "European Special Economic Zones", para solucionar os problemas dos países em dificuldades na zona do euro. Ela inclui incentivos fiscais; reforma do mercado de trabalho na linha da adotada pela Alemanha, com maior facilidade de demissão e menor contribuição social; fundo pra gerir o processo de privatização das empresas estatais; sugestão de adoção do sistema educacional alemão. O recado é bem claro: para receber nosso dinheiro, voce deverá, antes, adotar o nosso modelo de economia. É fato que o ele mostrou uma capacidade incrivel de resistência as turbulências econômicas e é um bom ponto de partida, mas é preciso lembrar que ele é o resultado da própria evolução/reforma do modelo alemão que surgiu no pós guerra e seria um equivoco imaginar ser possível exporta-lo, sem as devidas, adaptações para o resto da zona do euro. É merito dos alemães terem reconhecido e implementado as mudanças em seu modelo. Os italianos deveriam ter o feito o mesmo com o seu, porém, optaram por acreditar no conto de fadas vendido pela figura nefasta que dominou a política italiana por um período demasiado logo ate mesmo para os padrões deles. É reformar é preciso, também, na Espanha; já na Grecia a situação é um pouco mais delicada e a palavra mais apropriada é a refundação do seu Estado.

A proposta alemã, ainda não oficial, tem tudo para entrar para lista de outras tantas natimorta e, por isto mesmo, é a cereja do bolo de mais uma semana de faniquitos a espera do resultado das eleições gregas. Até lá, a pressão sobre o eleitorado grego deverá somente aumentar visando a obtenção do único resultado que interessa a Bruxelas: uma maioria favorável ao respeito as medidas de austeridade. Á idéia, ventilada ate por analistas respeitáveis, sobre a inevitabilidade da saída da Grecia é parte desta estratégia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Nos que sonhamos o impossível...



Em reunião esta noite, um dos participantes observou que no ambiente cultural nos anos finais da segunda metade dos anos 70, na USP, se fazia presente dois temas: a defesa da justiça e da democracia. No caso desta última não se resumia, apenas, ao seu restabelecimento, mas, também, e principalmente, na defesa de uma idéia de democracia em processo, permanente, de aprofundamento. Segundo ele, nada disto se faz presente no ambiente cultural atual. Muito pelo contrário. Hoje há quem defenda, abertamente e sem nenhum pudor, a desigualdade social e o aprofundamento da democracia sequer é mencionado. Concluiu, sua intervenção, lamentando, que passados mais de trinta nos, os problemas que a todos mobilizava, naquele período, não foram solucionados. Em rapido bate papo, depois da reunião, argumentei que os numeros não justificavam o seu pessimismo: o país está muito melhor e as mudanças são visiveis, por ex, na periferia sul da cidade de sp. Como ainda se mostrava cético, lembrei do aumento da oferta de bens culturais iniciado na administração da Marta e ampliado nas que a ela se seguiram. Em esforço final, para convence-lo, recordei das diferenças gritantes dos bairros dos endinheirados na Europa e Estados Unidos. Concordou, somente com a minha descrição deste último.

Não entendo esta forma de pessimismo, ainda que compreenda a falta de paciência com o lendo progresso na redução das desigualdades sociais, principalmente, pelo fato do país passar por um de seus melhores momentos econômicos.O fato é, que mesmo reconhecendo que o processo poderia ser um pouco mais rápido, as expectativas daquele período não eram realistas,. Não existem receitas magicas e um mundo socialmente menos injusto ainda parece ser o melhor objetivo. Em outras palavras, ele diria, voce está afirmando que a desigualdade pode ser reduzida, mas não eliminada. Para esta questão, não tenho resposta. Alguem tem?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais faniquitos




Mais um dia de faniquito que deverá se repetir, com alguma frequencia, ate conhecermos o resultado das eleições gregas. Ate lá, promessas serão feitas, planos esboçados, encontros informais poderão acontecer, sem que se produza nenhuma resultado ou se tome qualquer decisão. Tudo depende da escolha, soberana, do eleitor grego, que, naturalmente, deverá sofrer todo tipo de pressão, velada ou não, para votar de acordo com o que se espera em Berlim. É a velha e conhecida dinamica europeia levada a sua potencia máxima, que para os não iniciados, é sempre causa pessimismo, mas que, via de regra, acaba, em seu próprio tempo, em final feliz. É o caso, atualmente, da questão do pacto pelo crescimento que nada mais é que grandes investimentos em projetos de infra-estrutura que tudo indica serão financiados pelo Banco Europeu de Investimento o que, por sua vez, implica em aumentar o seu capital. Os dois eventos: decidir quais projetos e quanto de capital adicional será necessário, devem demorar o tempo suficiente para forçar os países em dificuldades a implementarem as reformas acordadas.

Um fato já parece ser consensual: em que pese a existência de um Plano B, ele nunca será usado, já que a saída da Grecia da zona do euro é uma hipotese com consequencias tão desastrosas que jamais acontecerá.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Stop and go...

Diante da perspectiva cada vez mais provável de crescimento abaixo dos 3%, a atual administração resolveu retomar medidas colocadas em pratica, com sucesso, no passado recente: redução do IOF das operações de crédito ao consumidor de 2,5% para 1,5%; redução dos juros para comprar de maquinas, equipamentos, obras; redução no compulsorio dos banco; redução do IPI sobre os carros nacionais e importados. É o renascimento, versão Dilma, do stop and go. Não se pode, naturalmente, criticar o governo por estar se mexendo, parado que não poderia ficar, resta saber se a colheita será tão generosa quanto se espera. A probabilidade disto ocorrer não é grande, haja vista, a situação de endividamento das familias e o tempo transcorrido entre as medidas atuais e as do passado recente ser muito pequeno, para justificar a troca de bens pelo número, diminuto, de familias com capacidade de endividamento. É verdade que a redução das prestações é um forte incentivo, porem, não o suficientemente forte para gerar um volume de demanda como àquela período do Lula.As familias brasileiras, ao contrário das americanas, felizmente, ainda não estão dispostas a assumir um endividamento alem do razoável e este comportamento deve ser elogiado e não criticado. Afinal forte endividamento criado, artificialmente, por crédito barato nunca acaba bem.

Confesso, não considerar justificável a redução do IPI dos carros, me parece que a redução do IOF seria suficiente. A razão parece ser basicamente política; um agrado ao eleitorado do mais importante político do grande ABC e, por acaso, candidato a governador de SP. O mundo é governado pela política e várias medidas que não se justificariam pela criterio estritamente econômico, não raro, devem ser implementadas. Não é o caso, contudo, da redução do IPI.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Chesnais


No fim semana, enquanto tentava sobreviver a uma maldita dor na coluna, li o o que é, provavelmente, o mais recente texto do economista marxista François Chesnais, sobre "as raizes da crise econômica mundial", que será apresentado, por um colega de trabalho, em seminário a ser realizado no dia 29/05/12 - 3ª-feira - 11:15h – Sala 132 - 1º andar do prédio novo (RBM)PUC/SP - Rua Ministro de Godoy, 969
Chesnais apresenta dados interessantes sobre a economia mundial, mas a sua análise, infelizmente, é muita pobre com os chavões tradicionais no campo marxistas sobre superacumulação de produção e superprodução de mercadorias, riqueza abstrata, sede insaciável de mais valia do capital, aumento da pobreza e pauperização dos assalariados. A impressão, ao final da leitura, é que o texto poderia ter sido escrito no inicio do seculo passado. O carater determinista da produção teorica marxista é impressionante, assim como sua aversão moralista ao setor financeiro. É o tipo de análise teorica que sempre agrada, já que não exige grande esforço intelectual, e parece explicar, aparentemente, tudo o que acontece no mundo, sem demandar a discussão e apresentação de propostas pra correção do problema. Afinal, argumentaria um marxista, o sistema não permite correção e a única solução é sua superação pela via recolucionária. Enquanto isto não acontece, nada pode ser feito para minimizar e/ou administrar a crise. Somente nos resta esperar pela parteira...


O fato da taxa de lucro em valores ser diferente daquela que embasa as deciões dos empresários não parece preocupa-lo, mas deveria, já que invalida boa parte da análise por ele apresentada. Alias, no campo da teoria econômica marxista, quase nada sobreviveu ao embate teorico com os neo-ricardianos nos anos 70 do seculo passardo, o que torna o marxismo ainda mais irrelevante e justifica o fato de continuar a ser ignorado pela grande maioria da comunidade dos economistas, como argumenta Brewer em artigo na HOPE(1995).